Billy (2011)



Exposição colectiva QUINZE ENSAIOS:

Cátia Mingote, Cláudia Rita Oliveira, Diogo Bento, Diogo Simões, Francisco Kessler, Jorge Gonçalves, José Júpiter, Luís Monteiro, Maria Manuela Rodrigues, Marta Castelo, Miguel Godinho, Pedro Maçãs, Ricardo Spencer, Vitor Medeiros.

Curadoria: Ana Janeiro e Bruno Pelletier Sequeira

Plataforma Revólver, Piso 2, Rua da Boavista, 84, Lisboa
De 30 de Junho a 30 Julho de 2011
Terça a Sábado das 14h às 19h30


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As janelas são para uma casa aquilo que os cinco sentidos são para a cabeça.
- Karl Marx, Der Achtzente Brumaire des Louis Bonaparte, Hamburg, 1885

Em Cell Block, Egospheres, Self-containers, Peter Sloterdijk apresenta-nos a noção de isolamentos interligados como habitat do homem contemporâneo, onde a noção de público deixou de existir. A acumulação de bens pessoais e de consumo imediato, as rotinas solitárias, os desejos íntimos, coabitam num espaço inoculado: a egoesfera, o apartamento. Esta unidade básica, celular, torna-se no elemento atómico de um construção maior, modular, que constrói a vida da sociedade contemporânea. O seu ocupante cai facilmente na ilusão de autossuficiência, só interrompida pelo ruído – visual e sonoro – ou falhas no sistema de apoio às necessidades individuais, que quebram assim a ilusão de estar imunizado contra todos os problemas, influências e agentes exteriores.

A literatura, o cinema, a música e mesmo a banda desenhada estão repletos de exemplos deste modo de viver a cidade e a arquitectura numa sociedade contemporânea.

Enquanto fotografava para um dos meus primeiros trabalhos (Nunca), sempre ao Domingo, reparei que a cidade está repleta de carros parados à porta de blocos habitacionais, formados por inúmeros apartamentos silenciosos, fechados, mas não obrigatoriamente inabitados. Os elementos arquitectónicos que possibilitam a comunicação com o exterior – janelas, principalmente – transformam-se assim em meros ornamentos ou em canais de ruído.

Durante uma dessas caminhadas pela procura de imagens que me ligassem à cidade, aos edifícios outrora polidos, fui interrompido por um telefonema de um amigo. A meio da conversa, perguntei-lhe: onde está, o que faz toda esta gente? “Estarão provavelmente atarefados a montar móveis do IKEA”.